Terrorismo psicológico

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Sempre que me acontece algo tenho a mesma sensação e me digo a mesma frase: “eu ainda não vi tudo nessa vida”. E essa semana me deparei com um acontecimento no mínimo bizarro.

Fui para Gramado no fim de semana, a previsão era de tempo frio, algo atípico para a época do mês, mas tudo bem, como a previsão estava acertando todas, confiei. Então levei minha calça de couro (sintética) para usar pela ultima vez antes de verão e chegar com tudo. Passei um calor descomunal, algo como uma sauna nas pernas, acrescido pelas botas que completavam o look. Mas quem nunca?

Segunda-feira, para minha surpresa, acordei com as pernas todas manchadas de vermelho. Eram micros pontinhos de sangue. Tinha coceira, vermelhidão e estava extremamente quente. Minha conduta seria esperar passar, pois tinha quase certeza de que era por causa do calor que havia passado e que estava com brotoejas. A coceira foi aumentando e como não queria me automedicar iniciei uma busca por um dermatologista.

Indicação daqui e dali, encontrei a indicação da indicação que atendia por encaixe. Achei meio estranho porque a secretaria me falou que iria demorar muito e fui chamada em menos de 10 minutos, sendo que o paciente anterior ficou 5 minutos no atendimento. Consulta padrão de médico, “fale somente o que ele te perguntar”. Referi o ocorrido – calça de couro sintética, calor etc e tal. Ele quase riu na minha cara.

Tenho certeza que ele estava me achando ridícula, porque nada disso pode dar aquele sintoma que eu estava apresentando. A consulta foi ficando tensa. Questionei se ele não queria ver as lesões. Ele fez menção de espiar sobre a mesa, eu prontamente me levantei e mostrei o local: minhas pernas, para o seguinte comentário: “ahhh ah rammm” sob os óculos de grau.

Foi então que se iniciou a consulta e um tsumani de perguntas, quase um estupro psicológico. O médico nem estava aí para mim, me tratou como um sintoma, um saco de batata, não uma pessoa. Aquilo não foi uma investigação, não foi um diálogo, não foi uma entrevista, foi um interrogatório policial – onde eu a culpada estava ali para sei lá o que. Nessa hora eu queria fugir, sair da consulta, mas não, tentei estabelecer um dialogo com aquele que se denominava “médico” e fiz a pergunta fatídica: Doutor o que o Senhor acha que pode ser? Pode ser do calor? “Já que a alergia é só nas pernas.” Para quê…nunca tu desafias alguém que acha que tem mais autoridade que tu…nunca se questiona ou sugere alguém que detém o conhecimento mais que tu e é arrogante, “obvio que não. Tu estás com púrpura” (meio indignado).

Quem é da área da saúde e já trabalhou num hospital, como eu, sabe que esse diagnóstico é extremamente grave e que teria que estar internada pela complexidade do caso. E para piorar o “médico” me explicou os fenômenos clínicos da púrpura, “é assim quando o teu sangue sai das tuas veias e não dá conta e acaba como que explodindo. Então tu deve estar como uma infecção grave interna”. Senhor… agora estou rindo dessa historia, mas depois irei contar o desfecho final.

“Assim Vanessa, não posso dar um diagnostico preciso tens que fazer esses exames com urgência”. E me foi solicitado uns 30 exames que iam desde funções hepáticas passando por doenças infecto contagiosas ate zyca e dengue. Nosso último dialogo foi o seguinte:

Doutor: Tu estás sentindo mais alguma coisa? Febre? Mal estar? Dor nas articulações?

Eu: Olha depois dessa nossa conversa eu estou é com crise de ansiedade achando que vou morrer amanhã pela gravidade do caso.

Doutor: Então tu fazes teus exames e volta quando estiverem prontos ou me manda que acesso pelo computador.

Saí do consultório desatinada, agora entro no assunto de hoje: o terrorismo psicológico. Quando uma pessoa abusa na sua fala e invade o psicológico do outro deixando o mesmo desatinado. Vejo isso seguidamente, mas não lembro quando foi a ultima vez que passei por uma situação dessas. Fiquei mal, ansiosa, angustiada, preocupada e me senti desamparada. Ainda bem que minha rede afetiva é vasta e várias pessoas me acalmaram e me apoiaram.

Mas quem não tem? Quem não tem um colo? Quem não tem alguém para dissolver a ansiedade? Faz o quê?

As pessoas não tem noção do estrago que podem causar na vida de outras. Não tem ideia do valor das palavras, do impacto das mesmas e das suas repercussões. A palavra toma uma dimensão na vida das pessoas que não temos noção. Algumas pessoas deveriam ser proibidas de interagir com outras, porque não tem a capacidade de se colocar no lugar do outro e avaliar a forma como a outra pessoa irá sentir determinada colocação.

O abuso, terrorismo verbal é crime. Invade o psiquismo do sujeito causando danos. Deveria ter lei que nos protegesse desses seres abusivos!

Um beijo até semana que vem

Vanessa Campos

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