Os “tem que…” 

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Eu tive no mês passado uma conversa filosófica com uma grande amiga. Somos confidentes, pedi autorização para ela para citá-la nessa coluna. Ela tem 35 anos e está no auge da “crise se deve ou não ter filhos”.  Profissional bem sucedida, com a vida organizada. Conversamos longamente sobre todos os benefícios e abdicações que envolvem essa decisão. Sem concluirmos nada.

Seu maior conflito era porque ela não era como a maioria das mulheres que deseja ter um filho, “ser mãe”. A sociedade espera que tu sejas, teus pais, teus amigos, teus vizinhos. Todos têm uma expectativa em relação a ti. E o fato de existir a dúvida já a deixava culpada.

Somos seres cheios de metas e coisas para atingir. Temos tantos “quês”. Acontecimentos que temos que cumprir porque já fazem parte do rumo esperado por nós mesmos e pelos que nos cercam. Quando terminamos o colégio “temos que” escolher uma faculdade. Após essa “temos que” fazer um pós. Quando somos solteiras “temos que” ter um relacionamento… daí noivamos, então ”temos que” casar. Enfim casamos, estamos formados, com pós-graduação – e vem a pergunta, de qualquer um, “quando vai vir o bebê?”. Engravidamos… quando a criança não tem nem um ano “quando será o segundo? Vai ter um irmãozinho?”

Assim vamos indo, vivemos num BIG Brother com diretor, apresentador, paredão e tudo. E ai de quem não cumpra as exigências sociais: ELIMINADO! Sim, já foi bem pior, mas nós mesmos nos exigimos seguir um padrão. Temos em nosso DNA gravadas algumas formas de se relacionar, metas, objetivos sociais, pessoais e profissionais. Isso nos guia. Dá o norte. Acho que nossa cultura nos ajuda a evoluir, mas não podemos estar engessados na mesma. Conseguimos, através da evolução social, a possibilidade de ESCOLHA. Sendo essa pessoal e intransferível – na maior parte das vezes!!!!

Certo dia, após um mês de nossa conversa, minha amiga me liga dizendo que após muito conflito, culpa, dúvida, noites em claro e reflexões que escolheu não ser mãe. Não quer ter um filho. Que ela se realiza de outras formas e que tem que respeitar isso. Acho libertador que nos dias atuais as pessoas possam ter livre arbítrio. Que possam reconhecer as suas necessidades, seus desejos e que tenham possibilidade de escolha.

Ao escolher sempre teremos a dúvida…”será que fiz o certo?” Nunca saberemos porque quando se escolhe algo se abdica de outra coisa. Não se pode ir por dois caminhos ao mesmo tempo. Em toda a escolha se tem uma renúncia. Quando tenho que escolher por algo sempre essa imagem vem em minha mente: “eu caminhando por uma estrada reta e de repente uma bifurcação. Tenho que escolher entre a direita ou esquerda. Não existe outra alternativa que não a escolha.” Poderíamos ficar parados ali no meio da estrada sem ir a lugar algum, mas para mim essa não é uma possibilidade. Quando escolhemos ir pela direita não sabemos como seria se fossemos pela esquerda. Temos que seguir em frente.

Então depois de feita a escolha já está feito. Resolvido! Abdicado! Temos que administrar esse caminho da melhor forma possível. E não ficar pensando “se eu tivesse escolhido a direita. Como seria?” Nunca saberemos. Existe a possibilidade de lá na frente fazer um “desvio” pegar um novo caminho e continuar seguindo em frente.

Sugiro que todos possam refletir- como minha amiga- das suas necessidades, seus verdadeiros desejos para que quando tiverem que escolher o caminho que esse seja de forma consciente!

Um beijo, até semana que vem!

 

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Vanessa Campos – Psicóloga

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