Era uma vez um passarinho

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Era uma vez um passarinho, ele vivia alegremente numa floresta perto da cidade. Voava, cantarolava pelos galhos das árvores diariamente. Tinham dias difíceis na vida dele. Dias de tempestade, por exemplo, ele ficava assustado e faminto, pois não conseguia sair para caçar seu alimento. Outros dias ele passava fugindo de um gavião que sempre o perseguia. Ele fugia e se escondia. Passava dias às vezes escondido enquanto o gavião ficava parado a espera que ele saísse, até que desistia e ia embora, o deixando livre para seguir a sua vida.

Certo dia o passarinho resolveu ir numa área da floresta que desconhecia, porque tinha pouca idade e ainda não havia tido a oportunidade de conhecer todos os cantos da encantada floresta que vivia. Foi desbravando a mesma…nesse lado da floresta tudo era mais sombrio, as árvores tinham longos galhos, eram lisos e seguidamente o passarinho escorregava e acabava se desequilibrando. Até que algo grave aconteceu, o gavião encontrou o passarinho e foi uma luta implacável…tentando se livrar o passarinho acabou caindo numa areia movediça, o que fez o gavião desistir da caçada. O passarinho tentou desesperadamente sair da areia, mas quanto mais se debatia, mais ia se afundando. Primeiro veio o desespero, depois o passarinho começou a se acalmar e concluiu que ali ficaria.

Pensando nas possibilidades o passarinho avaliou que iria em breve ter tanta fome que não teria como sobreviver. Observou todo o entorno, se deu conta que se delicadamente virasse seu corpo poderia se favorecer. De um dos galhos das árvores escorria uma seiva sempre que chovia. Então era assim que ele se alimentava. Abria seu delicado bico e recebia sem esforço alguma seiva, e algumas vezes, gotinhas acumuladas de água. Ali o gavião não iria. Não precisava sair para conseguir o alimento, bastava abrir seu bico e estava tudo ali. O tempo foi passando e ele ficando cada vez mais gordinho. A areia era quentinha então não passava necessidade alguma. E o passarinho foi se acostumando com aquela vida. Já não passeava mais, nem cantava, não era feliz, mas também não era triste …levava a vida.

Certo dia um macaco passou por ali…viu o passarinho e foi falar com ele. “oi meu caro…vou te tirar já daí…vou procurar um cipó , tu coloca em ti que te puxo e logo tu estarás livre para sempre!”, falou aflito seu novo amigo. O passarinho ficou agitado, estava ali há um bom tempo. Já havia se acostumado com aquela vida …sem desafios, sem riscos, sem duvidas, sem mudanças… ficou olhando para o macaco sem saber o que dizer enquanto o mesmo lhe jogava o cipó.

O passarinho levava sua vidinha ali…acomodado, sem maiores desafios , na mesmice diária. Na segurança de que nada de extraordinário lhe aconteceria. Não ariscava, não sonhava, não planejava. Vivia e recebia o que a vida lhe oferecia, sem maiores dilemas, sem lutar por suas realizações. Como disse não era feliz nem triste. Apenas vivia o hoje sem desejo.

E você ai? Está na areia movediça? Está procurando uma? Foge todos os dias do gavião? Canta? Passa por tempestade? Onde você está afinal?

Um beijo até semana que vem.

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Vanessa Campos – Psicóloga

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