As calcinhas do Wando

O cantor Wando teve o auge do sucesso na minha adolescência. Ouvia suas musicas e suas letras e digo a vocês, não são de todo mal. Falam de amor, principalmente os não correspondidos. É “uma dor de corno” inacreditável. Ficava impressionada como as pessoas gostavam.

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Certa vez assisti a um show que ele fez e fiquei chocada com a quantidade de calcinhas que as mulheres jogavam no palco. O que me intrigou profundamente. Será que elas levavam uma calcinha “extra” para dar para o cantor? Será que tiravam as que estavam usando? Chovia calcinha no palco e de todos os tipos. Então fui pesquisar e para minha surpresa descobri que Wando tinha uma coleção interminável de calcinhas!!!! Bizarro!! Sensacional!!!

Elas gritavam seu nome no show, se mexiam freneticamente e jogavam as calcinhas, obviamente não era pela beleza do Wando porque o cantor não se encaixa nos padrões convencionais de beleza, embora sabemos que isso não se deve discutir. Na época eu não tinha o conhecimento da vida que tenho hoje no auge dos meus 40 anos. Peço a vocês, por favor, não deixem de ler minha coluna depois desta constatação:  Wando era sexy! Sim, tinha um sex appeal e principalmente por isso acredito que teve sucesso: FALAVA DE AMOR!!!

Esse é meu assunto de hoje: O AMOR! Não o amor fraterno, materno, paterno, queria falar com vocês sobre aquele amor que nos dá frio na barriga, que perdemos a fome, que pensamos 24h por dia na pessoa, no seu sorriso, naquele beijo, no primeiro beijo, no segundo beijo e no ultimo beijo. O amor que buscamos para encher nossas almas de alegria e vontade  de viver. Aquele pelo qual fazemos qualquer coisa.

Vocês devem estar pensando: qual relação tem Wando com o amor? Por que quando amamos somos bregas!!! Vou provar para vocês. A maioria dos casais tem apelidos carinhosos como “PICHUCHUCA” e “PICHUCHUCO”. Daí estão num restaurante ela olha para ele e diz: “PICHUCHUCOOOOOO vai comer o quê? Sendo que na maioria das vezes sempre o final vem com um dengo, a letra se arrasta e fica mais longa. “AMORZINHOOOOOOOOOOOOOOOOO”, tipo assim, sem falar da fisionomia da pessoa.  A maioria se transforma, algumas vezes é infantil, outras é mais sexy, como se outra pessoa estivesse ai.

Quem olha de fora pode pensar que essas situações são ridículas… como as mulheres freneticamente jogarem as calcinhas para Wando, mas o amor é assim… para quem o vive é lindo, necessário, não tem juízo crítico do quanto brega possa ser determinado ato. Uma pessoa que ama perde os parâmetros. Obviamente se o amor não existe, se o envolvimento não é recíproco qualquer dessas atitudes se torna desnecessária. Serão fortemente criticadas e não terão a receptividade desejada.

Perdemos a noção quando estamos amando, não enxergamos os defeitos, o senso crítico fica praticamente nulo. Qualquer ato do ser amado é avaliado como “fofo”. Já dizia o ditado: “o amor é cego”, eu acrescento sempre mudo e burro, mas necessário.  Aquele casal cria uma linguagem verbal e não verbal própria. São micro segredos, palavras soltas que só fazem sentido para aquela dupla.

Todos querem amar, ter alguém ao seu lado. Serem chamados por um apelidinho carinhoso. Compartilhar os momentos. Ser brega é vintage, cool, está na moda. Acho que nunca saiu. Todos mudamos ao longo da vida a forma de amar. Nossas experiências vão marcando essa trajetória. Independente disso amar é bom demais! E brega certamente eu sou!

Um beijo, até semana que vem

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Vanessa Campos – Psicóloga

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