A música ruiva de Nando Reis na edição 08 da revista eléve!

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Fotos: Washington Possato

Texto: Lisiane de Assis

A música ruiva de Nando Reis

O cantor e compositor que define seu estilo musical pela cor de seu cabelo, analisa o saldo que leva pós-Titãs, fala sobre a atual carreira e revela suas paixões além da música: família e futebol

“Por onde andei” – além dar nome a uma das sessões da Revista Eléve – é um daqueles versos que, ao ouvir, lembramos logo da melodia, das palavras que se seguem e, sobretudo, de seu criador. É isso que um compositor de letras marcantes e hits contagiantes faz, impregna sua música na memória de quem a ouve. Vai ver, este é um dos motivos para que José Fernando Gomes dos Reis, ou Nando Reis, seja um dos músicos brasileiros mais estimados pelos gaúchos.

Tendo uma relação especial com o público do estado – tanto que gravou o MTV ao Vivo Nando Reis e os Infernais no Bar Opinião, em 2004 -, considera os fãs gaúchos bastante receptivos. Contudo, acredita que ainda se apresenta pouco por aqui, gostaria de vir com mais frequência. Apesar de, entre um show e outro, não encontrar muito tempo para conhecer com mais detalhes as cidades que visita, estando em solo gaúcho não deixa de saborear um bom churrasco.

A veia musical do ruivo de cabelos encaracolados vem de berço. A mãe era professora de violão, o pai fã de Jorge Bem Jor. Com o irmão Carlito conheceu Rolling Stones e com a irmã Quilha, Gal Costa e Gilberto Gil. Estava construído o pilar que estruturaria sua carreira musical. Foi em casa também que desenvolveu os dotes de letrista. “Quando era adolescente ficava muito em casa sozinho, adorava tocar violão a tarde inteira e fazer músicas. Escrevia muito, fazia poemas e gostava de mandar cartas. Musicava alguns poemas, geralmente longos. Sempre gostei de canções longas”, rememora Nando. Depois disso, o conhecimento musical se desenvolveu na escola e ele nunca mais parou.

Foi no ambiente escolar que conheceu os companheiros da banda que o trouxe a público e que integrou como baixista durante 20 anos, os Titãs. Ao se formar no Ensino Médio, chegou a cursar Matemática na UFSCAR – Universidade Federal de São Carlos -, isso quando os músicos começavam a montar seu primeiro show. Logo, o curso não foi muito à frente. “Minha inaptidão para as Ciências Exatas, somada à distância que me fazia perder muitos ensaios, me levou a abandonar o curso antes de completar o primeiro ano”.

Após o longo tempo que ficou ao lado dos Titãs, completando duas décadas de banda e já tendo lançado três discos solo nesta época, resolveu seguir somente com seu trabalho próprio. “Eu estava completamente arrasado pelas perdas recentes de Cássia Eller (cantora e grande amiga) e Marcelo Fromer (ex-guitarrista dos Titãs), desgastado pela sequência de shows, dividido entre a minha banda e a minha carreira solo… Assim, decidi terminar uma história de 20 anos para começar outra etapa da minha vida”, conta. Apesar já manter o trabalho solo em paralelo, ao optar somente por este caminho, teve que escrever sua nova história musical do começo. “Foi tudo aos poucos, já tinha discos solo quando ainda estava nos Titãs, mas logo após minha saída, foi um recomeço mesmo. Saía em turnê tocando para pouca gente, em lugares pequenos, trabalhando e promovendo a minha música”. Mas o saldo que carrega até hoje, tanto no âmbito musical quanto pessoal, do tempo de Titãs, é positivo. “Durante todos os anos com os Titãs, vivemos todos os tipos de situações possíveis, do mais absoluto sucesso a momentos bastante difíceis. Portanto, procuro estar sempre com os pés no chão”. Acredita que o trabalho que tinham em grupo era muito proveitoso, por isso, mesmo sendo um artista solo atualmente, reconhece a importância que Os Infernais, banda que o acompanha atualmente, têm em todo o processo.

Hoje, aos 48 anos de idade, alcançou solidez na carreira. Cativa não só seus fãs, mas também admiradores de outros artistas, com suas composições, pois é autor de canções como “O Segundo Sol” e “Relicário”, gravadas por Cássia Eller; “Resposta” e “É Uma Partida de Futebol”, conhecidas na interpretação da banda Skank; e “Onde Você Mora”, antigo sucesso do grupo Cidade Negra. Com tantas letras consagradas, está atualmente entre os 10 brasileiros que mais arrecadam direitos autorais, de acordo com dados do ECAD – Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, tendo como base músicas executadas em shows e rádios.

Nando pai

Revista Eléve 03 - impressão.cdr

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