O poder do sertanejo

Por Vanessa Campos

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É inacreditável o impacto que alguns estímulos têm sobre o psicológico e emocional das pessoas. Vou contar uma para vocês que me aconteceu dia desses. Terminei meu dia de trabalho, nada de muito significativo aconteceu nesse dia. Tudo no seu percurso natural. Suave- como diria um paciente meu. Adorei essa! Tudo ótimo, entrei no carro, conectei meu spotify, playlist sertanejo 2017. Teria um tempo no trânsito. Minha casa do trabalho demora de 8 a 30 minutos depende do caos que a cidade se encontra. Faz tempo que resolvi não me estressar por isso.

Então lá fui eu bem faceira, ouvindo uma música e outra. Nossa, tem letras sensacionais. O cara que escreve esse negócio é um gênio. Confesso que odiava, e sério, era isso mesmo: “sertanejo”. Não aguentava ouvir! É o mesmo sentimento que tenho pelo funk. Mas, me apaixonei. E fui indo e cantarolando, mas não sei todas as letras. De repente, me deu uma vontade louca de chorar e comecei a sentir aquela sofrência toda.

Comecei a pensar em todos os amores perdidos, os desencontros e as palavras não ditas ou ditas. Os arrependimentos, as mágoas e os desencontros. Fiz um apanhado geral da minha vida amorosa e me deprimi. Parecia que faltava um pedaço. Parecia que tinha um amor para ser vivido. Me deu quase que uma melancolia. Nesses longos 20 minutos do trajeto da minha casa fiz o exorcismo de todas as dores da minha alma.

Lembrei de todas as camas vazias, os abraços solitários e os beijos sem amor. Porque no sertanejo é sempre assim. “Beijando outras bocas encontrei a sua”… “Me encontro contigo no meu sonho já que a realidade nos impede”… Eu nunca vi tanto desencontro. Acho que existe uma confraria da sofrência. Esses músicos devem se reunir e escrever as letras das músicas baseados na sofrência alheia. Porque eu já sofri por amor, já me arrependi de amor que tive e até, pasmem, por um ou dois que não vivi. Mas, esses músicos se superaram. Ou melhor eles conseguem expressar as dores da alma. As cicatrizes que uma amor pode deixar marcado em cada um de nós.

Desde esse dia mudei minha atitude. Sertanejo a gente ouve, não vive e não entra para dentro da música. Não se entrega. Tem vezes que escuto a letra, até para não sofrer do que nem teu é. Porque o sofrimento dependendo da TPM de cada uma é contagioso.

Um beijo até semana que vem!

Vanessa Campos

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