Jogo da verdade

 

Outro dia estava conversando com um paciente meu, de 12 anos,  sobre as brincadeiras que fazem no colégio e chegamos ao: jogo da verdade. Ele ficou muito impressionado que “na minha época” já existia esse jogo. Então eu perguntei a ele algo que me fez refletir sobre o tema de hoje. O diálogo foi:

Eu: Tu escolhe verdade ou consequência?

Ele: Óbvio né, Vanessa: consequência!

Eu: Sério?! Sempre escolhia a verdade.

Como sou saco sem fundo de lembranças e pensamentos, lembrei de mim, com uns 13 anos, jogando esse jogo e o jogo da garrafa – as pessoas ficam em círculo e daí se rodava a garrafa e se perguntava verdade ou consequência…a ponta da garrafa respondia enquanto a outra perguntava. Ou pior ainda a ponta da garrafa tinha que fazer algo que a pessoa dizia para fazer. Normalmente era beijo na boca- selinho né! Eu tinha quase uma crise de ansiedade hehehe. Ficava num nervoso quando iam me perguntar. Porque acreditem… quase nunca aceitava consequência. Só quando uma das minhas amigas que me sorteava. Se era um dos guris era verdade! Nossa, me perguntavam cada coisa que vocês não podem nem acreditar.

Nunca dei um selinho nesses joguinhos- era meio quadrada. Na verdade, sempre tive o mesmo pensamento: se tenho que beijar alguém tem que ser alguém que eu realmente queira. Não iria beijar uma pessoa que eu não estivesse afim. E era perdidamente apaixonada por um menino que nem me dava bola. Muito menos ia querer fazer o jogo da verdade ou consequência comigo. Fui crescendo e me tornei adolescente… hoje escuto as jovens contando que foram numa festa e ficaram com 3, 4 pessoas. Nossa! Nunca fiz isso. Nem no carnaval.

O carnaval era bom demais. Bloco de Xangri-lá- litoral do Rio Grande do Sul. Todos conhecidos. Minhas amigas  bêbedas beijando qualquer um. Aleatório. Juro para vocês que eu mesmo sem muita noção do mundo achava aquilo deprimente. O cara chegava nelas e nem falava, beijava e ia embora. Daí vinha outro e fazia o mesmo. Eu não…eu entrava na festa… fazia um scanner do ambiente e “selecionava” um ou dois- se considerava o primeiro difícil. Se beijava alguém era alguém que queria e que tinha por algum motivo escolhido… se ficava bêbada? Juro a vocês que nunca fiquei. Posso ter ficado alegre, faceira, entusiasmada, alta (como dizem) mas preciso ter o controle do que estou fazendo. Não gosto de fazer as coisas e me arrepender. Não gosto de não lembrar das coisas…me dá quase uma crise de pânico pensar em não saber o que aconteceu comigo. Se fiz é porque queria!

Acho que por isso preferia qualquer verdade do que ter a consequência de fazer algo que não estava de acordo. Sempre fui assim. Não faço nada contrariada- seja o que for. Se eu aceitar fazer é porque tem meu consentimento. E aí que tu tem que ser firme para manter a tua posição. Porque muitas vezes a verdade, os próprios desejos tem um custo- bancar os mesmos pode ser complicado. Tem que ter coragem muitas vezes. Obviamente que deve ter tido lá…em algum lugar do passado uma vez, ou duas que não fiz bem o que eu queria…também não sou a mulher maravilha. Mas garanto a vocês… 1% – esquecido na minha memória hehehe.

Acredito que possa ter parecido estraga prazer ou até antipática…, mas fazer o que? Nem Jesus conseguiu agradar todo mundo…o que sobra para mim …uma reli mortal!

Um beijo até semana que vem

Vanessa

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