Como a terapia ocupacional pode ajudar no desenvolvimento infantil?

Você sabe como atua o terapeuta ocupacional e como ele pode ajudar no desenvolvimento da criança? Para ajudar os pais na compreensão desta terapia, convidamos Débora Motter, terapeuta ocupacional, especialista em Saúde Mental e pós graduanda em Estimulação Precoce, para desenvolver o tema, esclarecendo a atuação e benefícios do tratamento. Leia aqui na íntegra o artigo da profissional.

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Por Débora Motter

O Terapeuta Ocupacional é o profissional da saúde que tem por objetivo favorecer o desempenho ocupacional das pessoas nas mais diversas áreas de sua vida, com o máximo de independência e autonomia possíveis. Quando falamos em bebês e crianças, as principais áreas relacionadas são as Atividades de Vida Diária, a Educação, o Brincar, o Sono e as Relações Interpessoais. Por diversas razões, que podem ser limitações físicas, cognitivas, do ambiente, ou questões emocionais, transtornos de processamento sensorial, entre outras, as crianças podem ter dificuldades em desempenhar estas atividades e necessitar do apoio do Terapeuta Ocupacional.

O desenvolvimento infantil compreende alguns aspectos principais: crescimento, maturação, desenvolvimento. O crescimento está relacionado ao tempo cronológico e aos marcos de altura, peso, perímetro cefálico. A maturação diz respeito às questões biológicas, com a formação e as modificações que ocorrem nas estruturas anatômicas e morfológicas em nosso corpo, e são influenciadas pelas experiências vividas, do ponto de vista cognitivo, emocional, motor, social. Quando falamos em desenvolvimento, nos referimos à aquisição de aspectos funcionais, como a linguagem, as habilidades motoras, cognitivas, sociais, emocionais, que vão se aprimorando cada vez mais e permitindo a aquisição de outros aspectos. Porém, essas aquisições não ocorrem de forma isolada, sem a interferência do meio, ou seja, é necessário que as pessoas que convivem com a criança, ofereçam as condições que favoreceram o desenvolvimento.

É muito importante considerar que as intervenções no contexto de desenvolvimento infantil devem ser realizadas o mais cedo possível, pois as principais conexões neuronais na criança ocorrem com maior eficácia até os 3 anos de idade. Geralmente as famílias costumam buscar orientação e tratamento quando as crianças ingressam na escola, pois neste momento os sintomas se tornam mais visíveis, através de dificuldades na escrita, na leitura, na capacidade de atenção e concentração, no aprendizado de forma geral. Isso não significa que as dificuldades não estavam presentes antes, pois todos estes aspectos do desenvolvimento na área escolar podem ter sua origem em estruturas de base, ou seja, em habilidades e capacidades que são desenvolvidas desde o nascimento.

Existem também as limitações associadas às condições genéticas (como síndromes), às lesões neurológicas, ortopédicas, aos transtornos do desenvolvimento e o Terapeuta Ocupacional trabalhará para maximizar as habilidades que a criança já possui, diminuir as dificuldades, e auxiliar na aquisição de novas habilidades, ou confeccionar dispositivos de tecnologia assistiva. A intervenção  pode ser pautada em alguns aspectos específicos ou em uma combinação destes: Habilidades da criança; Adaptações nos materiais que a criança utiliza; Adaptações na forma de realizar as tarefas; Adaptações no ambiente físico (escolar ou domiciliar); Organização da rotina; Adaptações de atividades na escola; Orientação aos pais; Orientação aos professores.

Vamos agora detalhar as principais áreas de desempenho da criança para esclarecer a intervenção da Terapia Ocupacional no desenvolvimento infantil. Lembrando que em todas as áreas que serão citadas, estão envolvidas as relações interpessoais, a maneira como a criança se comunica, interage com outras crianças, consegue demonstrar o que precisa ou o que sente, consegue identificar as emoções nas outras pessoas:

 – ATIVIDADES DE VIDA DIÁRIA (AVDs): São as atividades que desempenhamos para o cuidado com o nosso corpo, como o banho, o uso do vaso sanitário, a alimentação, o vestir, a higiene bucal. Por exemplo, uma criança com dificuldades nas habilidades de esquema e imagem corporal, sequenciamento, início e termino de atividade, coordenação motora, planejamento motor, pode ter dificuldades em realizar sua higiene no momento do banho, em segurar os talheres para se alimentar, realizar as etapas para escovar os dentes, ou em coordenar os movimentos para vestir suas roupas. Também podemos pensar em limitações físicas, como amputações de membros superiores, que da mesma forma limitam a realização das atividades. Neste caso o Terapeuta Ocupacional utiliza os recursos da Tecnologia Assistiva, desenvolvendo adaptações e órteses específicas para cada criança, de acordo com suas potencialidades e capacidades.

– EDUCAÇÃO (ESCOLA): Para a criança aproveitar e utilizar o máximo de suas capacidades na escola, alguns pré-requisitos são necessários. Para o desenvolvimento da escrita, por exemplo, não nos damos conta de quantas habilidades estão envolvidas no simples ato de segurar o lápis para escrever. A criança precisa ter bom controle postural, equilíbrio e tônus muscular para se manter sentada na cadeira; preensão palmar bem desenvolvida para segurar o lápis; dominância manual; habilidades cognitivas, sensório motoras, perceptuais, como atenção, concentração, coordenação viso-motora (olho-mão),  coordenação motora fina, entre outras. No contexto escolar também são necessárias as adaptações na forma de realizar as tarefas, no ambiente físico ou adaptações para a criança utilizar (como cabos engrossadores para facilitar a preensão manual). As orientações aos professores e aos pais também são parte importante nesse processo e são cruciais para a efetividade das intervenções.

– BRINCAR: O brincar é a principal área onde a criança desempenha seus papéis e atividades compatíveis com a idade. Além de ser divertido e prazeroso, é também através do Brincar que a criança passa por experiências e desafios que contribuem para o seu aprendizado e desenvolvimento de habilidades. Através do brincar é possível que a criança represente as situações do cotidiano e encontre formas de lidar com elas. Muitas vezes as crianças vistas como mais “quietinhas”, que não “aprontam” muito, preferem ficar mais no seu cantinho, são aquelas que apresentam dificuldades motoras, de coordenação, equilíbrio, e por isso evitam participar das brincadeiras com caráter motor ou até mesmo dos esportes. Por outro lado, crianças com dificuldade para manter a atenção e se concentrar podem se esquivar das brincadeiras que exijam essas habilidades, como jogos, por exemplo. Como Terapeuta Ocupacional, considero o Brincar a mais importante destas áreas do desempenho das crianças, pois é através dele que a criança adquire as habilidades necessárias para as outras atividades aqui citadas.

Vimos até aqui exemplos de crianças que apresentam alguma dificuldade para realizar suas atividades. Entretanto, cabe esclarecer que o profissional de Terapia Ocupacional atua também na promoção da saúde e na prevenção de agravos, ou seja, é possível realizar práticas que melhorem a qualidade de vida das crianças e seus pais, que favoreçam os aspectos necessários para o desenvolvimento e beneficiem toda a família. Com orientações simples e fáceis de aplicar no cotidiano, podemos ampliar as possibilidades para as crianças e facilitar a organização da rotina para os pais, sobrando inclusive um tempinho para pais e filhos brincarem!

Para saber mais ou esclarecer suas dúvidas, agende uma avaliação: Clínica Companhia da Saúde – Rua Vasco da Gama, 461. Bom Fim, Porto Alegre, RS. Telefones: (51) 4101-9109 (51) 8171-4747

 

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Débora Motter – Terapeuta Ocupacional – CREFITO 5/ 14951

Especialista em Saúde Mental

Pós graduanda em Estimulação Precoce

 

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