Artigo: Cada um enxerga o que quer

Por Vanessa Campos

mulher-ilustração

(Ilustração: Freepick)

A percepção da gente é algo curioso. Vou contar para vocês um fato que me aconteceu outro dia. Ia fazer uma viagem rápida a São Paulo, então fiz uma mala de mão, bolsa grande, roupa devidamente elegante. Confesso que acho glamorosas aquelas mulheres que parecem (e a maioria de fato é) executivas. Chiques com suas blusas de seda pura, com saia lápis e sapato de salto milimetricamente impecável. Tenho um misto de inveja e admiração por essas mulheres. Pois então, ninguém sabe que não sou executiva e nesse dia estava me sentindo a tal.
Camisa de seda, saia lápis e scarpin. Enfim, elegantíssima e para completar o look perfeito, mala pequena. Adentrei no aeroporto me sentindo a poderosa, fui ao café deslizando pelos corredores e vi que algumas pessoas me olhavam, homens e mulheres. Check-in feito, embarquei triunfante, chegando a São Paulo era a própria executiva.
Jantei num daqueles restaurantes que só existe em São Paulo. E a bendita hora aconteceu o confronto. Fui me olhar no espelho e acreditem, tinha sido tão corrido aquele dia que não tinha me olhado nenhuma vez no espelho desde o momento em que me arrumei para a viagem. Fui toda confiante me olhar como executiva, elegante, fina, adequada. Quando levei um choque. Estava com a camisa de seda toda abotoada errada de modo que no final sobravam uns dois botões. Era a coisa mais estranha do mundo. Dava para ver claramente que havia errado na hora de colocar. Todo meu glamour se desfez naquele momento. Nossa me senti ridícula.
Como ninguém me avisou? Não existe mais caridade nesse mundo? (risos). Outro dia estava no banheiro do shopping e uma Senhora estava se olhando no espelho. Ela estava vestindo uma pantalona branca de linho e estava com uma calcinha preta toda floreada. Não era possível que ela não tivesse notado que a calcinha estava aparecendo. Fiquei naquele dilema de avisá-la por longos 2 minutos- tempo de lavar as mãos. Cheguei a olhar para ela e dar um sorriso. Mas não tive coragem. Ela parecia tão satisfeita e confiante. Que direito eu tinha de tirar isso dela? Acho que as pessoas que passaram por mim naquele dia pensaram o mesmo.
Ao sair do banheiro me senti culpada por não ter sido solidaria com a mulher. Mas não me senti autorizada de me meter na sua vida. Obviamente que se ela fosse uma amiga seria devidamente sinalizada. Então fico pensando… Existem situações que não temos saída. Qualquer que fosse meu posicionamento me sentiria mal. Se me intrometesse no banheiro para avisar a Senhora que sua calcinha preta estava aparecendo me sentiria desconfortável, se não falasse também me sentiria mal.
Isso que dá ficar olhando para as pessoas na rua. Se cada um olhasse para o seu umbigo esses problemas não existiriam. E o glamour das executivas também não. Que graça teria?
Ficarei um mês de férias… pegarei minha mala, meu chinelo havaianas e irei descansar até porque até uma falsa executiva precisa isso (risos).
Um beijo até mês que vem…

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6 Responses

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