A culpa é do manjericão 

manjericao

Realmente não consigo entender porque as pessoas fazem promessas e não cumprem as mesmas por muito tempo. Confessarei aqui uma promessa descumprida, mas antes irei contar o motivo pelo qual há 10 anos a fiz.

Estávamos num almoço em família, domingo às 13h. Comida sendo preparada, vinho aberto… minha casa estava povoada de cheiros. Quando algo grave aconteceu: faltou o manjericão! Tentei dissuadir o cozinheiro que era um ingrediente supérfulo (na época não compreendia a importância de um tempero- muito menos sobre o manjericão). Obviamente como eu era a “auxiliar da cozinha” fui ao supermercado mais próximo solucionar o problema. Primeiro erro: peguei a chave do carro e fui! Qual a vestimenta de uma pessoa que está com a função de “auxiliar de cozinha”, num domingo às 13h? Resposta óbvia: “roupa de ficar em casa”. Aquela que todos temos. Que só compartilhamos com que temos muita intimidade. Compartilharei com vocês minha vestimenta de ficar em casa: macacão preto, havaianas preta e obviamente cabelos com um rabo de cavalo amarrados desatentamente.

Segundo erro: só me dei conta da forma como estava vestida quando entrei no supermercado e me deparei com a porta de vidro e esta refletiu minha imagem triunfal. Sou uma pessoa otimista por natureza, por mais critica que seja a situação sempre acho que no final tudo vai ficar bem. Meu pensando: “ahhh, não é possível que tu vai encontrar algum conhecido num domingo às 13h, todos estão almoçando com suas famílias… e vai ser rápido! Só um manjericão. Pode ir Vanessa! Sem estresse”.

Assim entrei no supermercado confiante. Focada em chegar o mais breve possível nas verduras pegar a bandeja de manjericão e deu!!! Casa!!! Para minha surpresa… PAAAAAA!!!! Encontro meu primeiro sogro… querido… sempre me achou a menina (era na época) mais charmosa e bonita. E eu ali… 15 anos depois … mais velha obviamente… descabelada..com aquele macacão!!!! Só Deus sabe o que pensei. Que vergonha!!!

Estrago feito fui para o caixa… tudo rápido para evitar maiores danos à minha imagem. Comecei a respirar aliviada quando… na escada rolante faltando 50 metros para o estacionamento, encontro um ex-namorado… puxei o celular na tentativa desesperada de não ser reconhecida…em vão…recebi um “oi” super simpático! Ao entrar segura no meu carro fiz então a promessa: “prometo que nunca mais na minha vida vou ir ao supermercado ou qualquer lugar público sem estar devidamente apresentável”. Ammmmmmm

E se passaram 10 anos seguintes… até que faltou manjericão…estava sozinha. Não tinha auxiliares, aprendi a cozinhar (por necessidade da vida) e sabia do impacto da não existência daquele tempero no produto final. Situação era similar… sexta, chovendo, frio, 22h30. Pensei… juro que pensei  “ não vai ter ninguém no super…vou assim”. Entrei apressadamente, cortei caminho entre os corredores… pronto peguei: meu manjericão.

Estava já saindo do corretor quando me deparei com “ela”. MEU DEUS!!!! Não é possível que isso esteja acontecendo DE NOVO comigo. Não acreditei no que meus olhos viram. havia 20 anos que não a via. Minha rival de popularidade na época da escola… no auge dos nossos 15 anos. Nossa rivalidade era velada já que éramos amigas… mas éramos as mais populares da escola. Não competíamos. Éramos uma dupla! Riamos, brincávamos, gostávamos dos guris. O destino me pregou uma peça. Eu ali com “roupa de ficar em casa”- versão inverno. Ela deslumbrante fazendo rancho às 22h30 da noite. Com tailleur nude, bolsa chiquérrima, sapato sobre tom scarpin. Cabelos impecáveis devidamente escovados, maquiada. Não estava perfeita porque o batom já havia saído e havia somente os resquícios do mesmo. Mas igual… me senti humilhada! Pensei em tentar fingir que não a havia visto, em vão. Ela calorosamente me abraçou e assim ficamos “colocando o papo em dia” por vários eternos minutos.

Já no carro tendo como testemunha meu manjericão, refiz minha promessa novamente. Amémmmmmm

Um beijo, até semana que vem!

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Vanessa Campos – Psicóloga

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